Não é segredo para nenhum gestor que a implementação de novidades tecnológicas em uma organização gera receios em grande parte dos colaboradores. Apesar de sabermos que a automação de processos torna o trabalho humano mais fácil e estratégico, muitos temem perder o seu emprego para a tecnologia ou sentem que não possuem as habilidades necessárias. Contudo, trata-se de um caminho sem volta: pesquisa recente realizada pelo Fórum Econômico Mundial indicou que até 2025 as máquinas executarão mais tarefas do que os homens – e que 58 milhões de novas vagas devem ser criadas graças à robotização.
Portanto, as empresas que ainda não implementaram a RPA (Automação de Processos Robóticos) devem iniciar a transição o mais breve possível, mantendo em mente que se trata de processo que, frequentemente, exige mudanças na cultura organizacional. Além disso, essa migração deve envolver estratégias de capacitação e a criação de redes de segurança. Para auxiliar sua empresa ao longo dessa trajetória, recomendamos algumas iniciativas para se estabelecer uma cultura de automação.
Mudar a mentalidade
O colaborador deve entender que a tecnologia a ser implementada vai assumir tarefas repetitivas que antes ele próprio fazia manualmente, portanto que ocorrência de falhas será minimizada. Além disso, ele terá mais tempo para desenvolver trabalhos estratégicos e criativos que agregam valor à organização e à sua própria carreira. Demonstre que sua empresa aprecia o talento humano e que a automação será implementada como forma de potencializar as conquistas de cada indivíduo, e não para substitui-los.
Por se tratar de uma mudança de mentalidade, é um processo que deve ser feito gradualmente e envolver diversos departamentos, como Recursos Humanos, Comunicação Interna e Tecnologia da Informação. A partir do momento em que o colaborador notar que a empresa é empática, compreende seus sentimentos, haverá abertura para um diálogo produtivo. Note que, aqui, o objetivo não é informar, mas estabelecer diálogo, para que as partes evoluam em conjunto.
Engajar e aproximar a liderança
O funcionário só estará preparado para mudar quando sentir que seu líder, aquele em quem confia, está genuinamente motivado e acredita que a automação é o melhor caminho para todos. Portanto, envolva as lideranças médias nos processos de adoção tecnológica e nos testes-piloto, a fim de que ele seja um embaixador da mudança.
Além disso, construa pontes entre as equipes de tecnologia e as de negócios, para que desafios e soluções se encontrem e os times descubram oportunidades de melhoria. Como resultado do trabalho conjunto, pode-se, inclusive, surgir um Centro de Excelência em Robotização e Automação, o que encoraja e permite uma transformação organizacional mais profunda, contínua.
Promova a capacitação
Uma pesquisa realizada pela Unidade de Inteligência do The Economist indicou que 88% dos CEOs acreditam que a automação ajuda o colaborador a alcançar suas metas, mas 29,3% citaram que um dos maiores desafios para que ocorra a robotização em escala é a falta de alguns conhecimentos e habilidades necessárias.
Tendo isso em vista, estabeleça um sistema de aprendizado contínuo para criar uma cultura de automação fortemente enraizada. Pode começar documentando quais são as habilidades que um colaborador deve desenvolver para realizar todo seu potencial com a tecnologia. Em seguida, relate detalhadamente todas as dificuldades encontradas pelos usuários internos. Com base nesses dados a organização conseguirá entender onde estão os gargalos e como pode promover capacitação adequada.
Por fim, também é válido utilizar aprendizados e boas práticas oriundas de instituições que passaram pelos mesmos desafios de mudança cultural e implementaram a automação: todos encontram encalços, por que não aprender em rede? Busque as informações no ambiente externo e compartilhe suas



