Não é de hoje que termos como Inteligência Artificial (IA), automação e robotização levantam grandes discussões e especulações a respeito do futuro do trabalho, bem como se essas tecnologias têm o potencial de eliminar completamente os humanos de seus cargos e empregos.
De fato, em algumas empresas pode-se encontrar setores quase que completamente automatizados, especialmente em procedimentos industriais e em tarefas repetitivas.
Ou seja, a Automação de Processos Robóticos (RPA) é uma realidade, pois permitiu a muitas organizações a redução de falhas oriundas de procedimentos manuais e a diminuição de custos laborais.
Porém, ultimamente tem se falado bastante em “chefes robôs”, que seria uma forma de combinar RPA e tecnologia cognitiva, ou seja, gerar aprendizado de automação a partir de comportamentos e padrões humanos e colocá-los para trabalhar a favor da gestão empresarial.
Nesse sentido, algumas previsões de mercado dizem que até 2030 esses robôs devem operar em posições de “gerenciamento médio”. Com isso, a expectativa é que essa automação auxilie de fato em processos importantes para as lideranças, como em momentos de gerenciamento de pessoal, investimentos, organização de metas e equipes e outros. Ou seja, sempre ao lado e nunca substituindo o trabalho humano.
Afinal, os melhores líderes corporativos do mundo já sabem que por mais que a alta e média gestão de uma organização precise ser altamente racional e focar nos lucros a serem obtidos, a participação comedida da empatia em um momento de tomada de decisão pode ser muito valiosa.
A própria pandemia de Covid-19 tem nos mostrado que empresas – nacionais e internacionais – que valorizam apenas o lucro financeiro estão sendo boicotadas e vendo seu valor de mercado cair sem perspectiva de recuperação. Portanto, o uso da robotização em processos de tomada de decisão é muito valioso quando aplicado em consonância com o fator humano.
Integração do fator humano
Por meio da tecnologia cognitiva os robôs-chefe poderão “observar” o trabalho de funcionários e analisar a execução das tarefas, os índices de produtividade e os resultados obtidos individualmente para cruzar com o desempenho da empresa no mesmo período.
Assim, terão toda a informação necessária para traçar a performance particular e de equipe, bem como propor medidas que melhorem os resultados, sejam elas a contratação ou cortes de pessoal, o uso de novas tecnologias ou simples modificações na rotina da equipe para um aumento de produtividade.
São, portanto, relatórios altamente confiáveis e detalhados, de grande validade para auxiliar as lideranças nos processos de tomada de decisão.
Outra aplicação altamente valiosa é utilizar tais robôs para maximizar o engajamento de funcionários e gerar incentivos baseados em desempenho, pois a IA permite digitalizar muitos dados rapidamente e aplicar algoritmos de predição para fornecer insights.
Por exemplo, fatores como eficiência, habilidade, conhecimento e nível de motivação podem ser utilizados pela gestão para selecionar membros da equipe para novos projetos. Assim, desde que os critérios sejam informados com antecedência, o uso da tecnologia pode gerar um engajamento saudável. Esse é um exemplo de como agregar fator humano em processos robotizados.
Por fim, o que temos notado é que não se discute mais, com tanta frequência, o uso da automação em tarefas de repetição e com alta probabilidade de falhas como as citadas no início do texto, mas sim sua atribuição a funções que demandam habilidades sociais.
Portanto, desde que utilizadas com parcimônia, as tecnologias de RPA e computação cognitiva podem ser o grande diferencial para que organizações conquistem novas posições no mercado e, de fato, agreguem valor aos seus produtos, serviços e marca.



